Loren acordara por volta das onze horas e telefonou logo aos pais. Após a mãe ter atendido, Loren disse-lhe calmamente:
- Gostava de ir à vossa casa para conversarmos. Posso?
- Claro, querida!
- Pode ser depois do almoço?
- Não preferes vir cá almoçar?
- Não mãe, tenho de tratar de um assunto primeiro.
- Está bem. Vemo-nos mais tarde. Beijos.
- Beijos.
Loren mentira à mãe. Ela não tinha nenhum assunto para tratar, apenas queria ganhar tempo para pensar como iria contar aos pais a notícia sobre Robert.
Loren preocupava-se mais como reagiria o padrastro, Mr. Gibbs, pois ele é que era o verdadeiro pai de Robert. Preocupava-se também com a mãe, mas não tinha a certeza se esta iria ficar triste ou não, esta sempre pedira ao pai de Robert para prestar mais atenção a Loren. Mr.Gibbs nunca o fizera e até fazia questão de ignorar Loren, desde que esta era criança.
Durante o caminho para casa dos pais, Loren continuava a pensar como contar-lhes a notícia. Quando chegou á casa, tocou á campainha e a sua mãe abriu a porta.
- Olá querida! (abraçando-a) Entra.
- Olá mãe. (sorrindo falsamente)
Ambas entraram e Loren começou a perder a coragem de lhes contar a trágica notícia.
- Mãe, diz ao Mr.Gibbs para vir á sala.
- Mas porquê, querida, passa-se algo?
- Apenas chama-o, por favor.
- Gibbs, querido, a Loren chegou!
Mr.Gibbs descera as escadas e sentou-se na sua poltrona na sala e nem cumprimentou Loren. Ela não ficou triste nem zangada, tudo o que o seu padrasto fazia não a afectava.
- Já cá estou. Que se passa?
Loren perdera a coragem.
- Desembucha Loren!
Loren colocou a página do jornal na mesa e não disse nada. Quando o seu padrasto pegou nela e leu a notícia, Loren não conseguia perceber o que ele sentia, pois Mr.Gibbs não demonstrava qualquer expressão. Mrs.Smith, mãe de Loren, revelava um pequeno sorriso malicioso.
Quando o seu padrasto acabou de lê-la, levantou-se e deu um estalo a Loren.
- És a culpada disto tudo!
Loren, revoltada, respondeu rudemente:
- Não fui eu que o eduquei…
- Não admito que fales assim na minha casa!
Mrs.Smith não fizera nada, simplesmente ficou a olhar para eles, aterrorizada, como se tivesse visto algo pior que um fantasma.
Loren saiu de casa e bateu a porta com força. Dirigia-se para o carro quando ouviu a última frase de Mr.Gibbs:
- Quero que tenhas o mesmo destino de Robert!
Loren entrou dentro do carro, olhou-se no espelho e sorriu ironicamente pensando “terei… mas tu primeiro”.
Loren chegou a casa por volta das três horas. Mal entrou, dirigiu-se para o quarto.
A sua casa era o que podemos chamar de “moderna”. Uma casa com linhas retas e com uma decoração simples.
Loren vivia sozinha e planeava continuar assim, ela nunca fora uma romântica. Loren, em toda a sua vida, só teve um relacionamento. Este era perfeito, mas o seu namorado morrera passando 2 anos, e Loren sofreu
imenso com essa despedida. E para se prevenir, decidiu não se envolver com mais ninguém.
Já era uma da manhã e Loren ainda não adormecera. Encontrava-se deitada na cama a olhar para o tecto com um ar pensativo, mas, no entanto, malignante. Sentia-se farta de esperar que o sono chegasse, saiu da cama lentamente e dirigiu-se para o armário, de onde tirou um vestido preto brilhante e uns sapatos elegantes de salto alto. Depois de se ter vestido, foi para a casa de banho a fim de fazer um penteado um pouco sofisticado, mas ao mesmo tempo descontraído, acabou por fazer um penteado como o das bailarinas, escassamente desmanchado.
Pegou na sua mala e saiu de casa. Decidiu ir a pé, ainda não sabia para onde iria, apenas limitava-se a caminhar pelo passeio cinzento. Encontrou um pub, que lhe parecia aceitável, e entrou. Neste encontrava-se cerca de 50 pessoas. O fumo dos charutos desfocava as suas faces, tornando as pessoas irreconhecíveis.
Sentou-se numa mesa perto do balcão, mas acabou por se levantar e ir para o outro lado do estabelecimento, devido ao olhar permanente que um homem sinistro lhe dava.
Passando apenas 10 minutos, Loren já se encontrava com um copo de vodca preta numa mão e um charuto na outra.
Acordou, às cinco horas da manhã, com umas dores de cabeça tremendas. Estava deitada em cima do balcão. Sentou-se lentamente e olhou em redor, apenas viu mais duas pessoas “inconscientes” devido à noite anterior. Pegou na bolsa e saiu do pub.
Ia a caminho de casa quando se sentiu perseguida, olhou para trás discreta e lentamente, e o seu pressentimento estava correto! Era um homem de estatura média, com a camisa mal abotoada e umas calças rasgadas nos joelhos, quando Loren teve a oportunidade de observar melhor a cara do sujeito, apercebeu-se que este era o mesmo homem sinistro que estava especado a olhar para ela na noite passada.
A rua estava deserta. Loren não sabia o que fazer ou reagir, ela só queria ter sossego. Ela tinha de pensar no que ia fazer e no que teria acontecido naquela noite.
Decidiu virar num beco escuro e confrontar o indivíduo:
- Porque me segues?
O homem ficou surpreendido, talvez por não ter pensado que Loren nunca o confrontaria.
- Não fiques tão surpreendido. Está assim tão bêbado que não consegue responder a uma pergunta simples? Espera… Se calhar também não consegue responder a esta. E a esta: como se chama?
- Joseph…
- Então Joseph, diga-me porque me segue.
- Você é bonita.
- Obrigada, mas isso não é nenhuma justificação para me estar a perseguir.
Joseph sorriu malignamente:
- Vem cá!
Agarrou Loren pelo braço e empurrou-a contra a parede.
- Este é o motivo porque te sigo!
E beijou-a. Loren gritou:
- Alguém me ajude! Ele é um louco!
- Está calada!- disse Joseph pegando numa navalha.
De seguida, cortou-lhe o vestido. Loren lutava para tentar fugir, mas não conseguia e começou a chorar.
- Não chores, linda…
Beijou-a outra vez apalpando-a.
De repente ouviu-se uma voz vinda da entrada do beco, era um homem, mas não se conseguia ver o seu rosto devido ao sol:
- Deixe-a em paz!
- És o dono dela?- disse Joseph ironicamente.
- Eu disse para a deixar em paz! Largue-a!
O homem tirou uma pistola do casaco e disparou para perto de Joseph, este fugiu atrapalhado. O homem misterioso tirou o seu sobretudo e tapou Loren:
- Estás bem?
- Sim, obrigada.
- Vem comigo, levo-te a casa.
- Obrigada…
Entraram os dois no carro e seguiram para casa de Loren, durante todo o caminho mantiveram-se em silêncio.